O Território Campo-maiorense


A colonização das terras piauiense, durante o período monárquico, tem como ponto de partida em sentido de desenvolvimento a figura das fazendas de gado, um milagre para economia da região. Dessa forma, o gado espalhou-se pelo sertão e as fazendas multiplicaram-se, absorvendo as terras e a mão-de-obra de índios, negros e de homens livres, que passaram a trabalhar para os grandes proprietários. E, com a atividade da pecuária, junto a esta, tem por associação, a figura do vaqueiro, um dos principais personagens da cultura nordestina e da história desta região. O vaqueiro, em sua maioria mestiços, mantinha com o fazendeiro o sistema de partilha na criação de gado. Sua função era cuidar do gado.

Neste capítulo, faremos um perfil resumo dos municípios e de algumas das localidades foco de estudo desta pesquisa, contextualizando-as, nos seus aspectos históricos, geográficos, políticos e culturais, servindo como apoio ao aspecto genealógico da pesquisa.

É importante ressaltar, que as famílias em pesquisa têm suas origens, como referencial temporal e geográfico, o sec. XIX, em localidades rurais que integravam ao macro território da antiga Vila de Campo Maior, e posteriormente, com as mudanças geopolíticas de desmembramentos de novos municípios na região, algumas destas localidades passaram a integrar às áreas territoriais de outros municípios, como: José de Freitas, Barras, Lagoa Alegre, Cabeceiras e Nossa Senhora de Nazaré.

 

É importante também ressaltar, que culturalmente, a densidade demográfica das localidades aqui destacadas, têm como características a baixa concentração populacional, variando assim, entre cinco e dez famílias. Todavia, independente do quantitativo populacional, das condições socioeconômicas e dos meios de sobrevivência... Estas localidades são formadas por pessoas comuns, que no silêncio de seus cotidianos anônimos, viveram e vivem experiências regadas de sentido e sabedoria, que à fazem no presente,  guardiães de memorias que trazem as imagens de outrora de seus ancestrais familiares.

 

Campo Maior

É herdeira de um Piauí colonial de povoamento tributário da expansão da pecuária, que reuniu sesmeiros (fazendeiros), vaqueiros, escravos, agregados e nativos, que, juntos, configuram um tecido sociocultural e religioso próprio do lugar.

Localizado ao norte do estado do Piauí, a 80 km de Teresina, o município de Campo Maior é uma cidade geograficamente próximo a sua capital. Criada através de Carta Régia em 19 de Junho de 1761. De fazenda Bitorocara (depois Santo Antonio) e à construção da primeira igreja Santo Antonio do Surubim. Em 28 de dezembro de 1889 é elevada a categoria de cidade. Nesse período de tempo, de vila à cidade, mesmo que sendo um processo lento e gradual, a cidade passou por transformações na esfera política, econômica e social.

O historiador campo-maiorense Pe. Claudio Melo, ainda na primeira metade do século XVIII assim se refere sobre Campo Maior:

 

“Campo Maior em todo seu passado sempre foi um porção privilegiada da terra e do povo piauiense. Comandou os fatos mais importantes da nossa história.”

Do ponto de vista econômico, desde sua criação como vila em 1761, a região campo-maiorense, transformou-se em centro produtor e de abastecimento, com uma economia girando em torno da pecuária, da agricultura, do extrativismo e do comércio. Porém, foi na década de 1940, no século XX, já na condição de cidade, que ficou economicamente estável com os rendimentos provenientes da cera de carnaúba.

A religiosidade no município de Campo Maior, se configura como uma cidade onde o catolicismo é muito forte, principalmente em torno da imagem do seu padroeiro Santo Antonio, o município também concentra uma grande quantidade de manifestações culturais como: grupos de reisados, de cantorias, literatura de cordel, dentre outros.

Localidades Pesquisadas: Tocaia, São Felix, Tucuns.

José de Freitas

Localizado ao norte do estado do Piauí, a 50 km de Teresina, o município de José de Freitas tem sua história a partir do inicio do século XVIII, com a edificação na fazenda Boa Esperança de uma capela dedicada a Nossa Senhora do Livramento. Ao redor da capela desenvolveu-se a povoação e, em 1874, foi criada a Paróquia de Nossa Senhora do Livramento e o distrito de Livramento, três anos depois desmembrado do município de União.

Em 1877, a fazenda São Domingos, clã das famílias Almendra Freitas, Castelo Branco, teve como procurador, o português, José de Almendra Freitas, que residiu na Fazenda Havre de Graça, próximo à Capela do Livramento e passou a exercer influência marcante em toda a comunidade, ficando ligado à terra, com nome no município.

A elevação da Vila do Livramento à categoria de Cidade ocorreu em 1924, pela lei estadual nº 1088, de 0707-1924. Pelo decreto estadual nº 1186, de 18-03-1931, retificado pelo decreto estadual nº 1320, de 27-11-1931, o município de Livramento passou a denominar-se José de Freitas.

Localidades Pesquisadas: Palmeirinhas, Morro Vermelho, Genipapo Doce, Cajueiro, Alto Alegre.

Barras do Maratoã

Criada no ano de 1.841, a cidade surgiu a partir da fazenda Buritizinho. No local havia uma capela dedicada à Nossa Senhora da Conceição, que tornou-se sua padroeira. A localidade foi elevada à condição de vila e passou a se chamar Barras do Marataoã, em alusão ao rio que recebe os visitantes na sua entrada e por estar situada entre barras de rios e riachos. Quando foi elevada à categoria de cidade, a vila passou a se chamar apenas Barras.

 

Barras está localizada no centro de seis barras de rios e riachos, o que deu origem ao seu topônimo. A fundação ocorreu em meados do século XVIII, quando o Coronel Miguel Carvalho de Aguiar, natural do Estado da Bahia, iniciou a construção da primeira capela, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, atualmente Padroeira da Cidade.

Distrito criado com a denominação de Barras, pelo decreto de 20-10-1823. Elevado à categoria de vila com a denominação de Barras, pela lei provincial nº 127, de 24-09-1841. Sede na vila de Barras. Instalada em 19-04-1842. Elevado à categoria de cidade com a denominação de Barras do Marataoan, pelo decreto nº 1, de 28-12-1889.

Localidades Rurais Pesquisadas: Pedra Branca, Saquarema.

Lagoa Alegre

Surgiu a partir do desmembramento do município de União, em 29 de abril de 1992 e do antigo povoado Lagoa Alegre que é oficialmente elevado à categoria de município e distrito com a denominação de Lagoa Alegre em 1989, com área territorial e limites estabelecidos pela Lei Estadual nº 4477, de 29-04-1992, desmembrado dos municípios de União, Barros e Miguel Alves.

Situada ao norte do município de União possui um clima tropical que é predominante no Estado do Piauí com duas estações bem definidas uma de chuva e outra de seca. A principal fonte de subsistência dos lagoalegrenses é a agricultura cultivada na bacia do Rio Parnaíba e o comércio. Em seu território predomina uma vegetação de Caatinga, Cerrado, Mata dos Cocais de transição entre a Caatinga e a Floresta Amazônica, Lagoa Alegre é rica em palmeiras como babaçu e carnaúba que são muito importantes para desenvolvimento da economia do município, desde quando ainda era povoado.

Algumas Localidades Rurais: Descoberta, Pedra Branca, Poço do Gaspar, Graciosa, Salobro, Barra Branca.

Cabeceiras do Piauí

Elevado à categoria de município e distrito com a denominação de Cabeceiras do Piauí, pelo artigo 35, inciso II, do ato das disposições constitucionais transitórias, da constituição estadual de 0510-1989, com o topônimo, área territorial e limites estabelecidos pela lei estadual nº 4477, de 29-041992, desmembrado de Barras. Sede no atual distrito de Cabeceiras do Piauí ex-povoado de Cabeceiras. Constituído do distrito sede. Instalado em 01-01-1993.

Segundo relatos, a história mais recente da Região Oeste de Cabeceiras teve início na segunda metade do século XIX e se originou da apropriação de terras pelo Padre Bozon que em suas atuações de desobriga passou a ter interesse pela propriedade de terras, que constava da compra de uma pequena gleba e em seguida trazia um topografo e demarcava uma área muito maior do que a adquirida. Assim conseguiu se apropriar de vasta área, algo em torno de 14.000 hectares de terras no município de Barras.

Algumas Localidades Rurais: Pedra Branca, Canto do Boi, Capão do Gato.

Nossa Senhora do Nazaré

As origens do município remontam ao século XVI, quando os jesuítas chegaram à região. Domingos Afonso Mafrense recebeu dos padres 30 fazendas de gado, entre elas a Algodões, onde hoje está a sede do município. O povoamento intensificou com a imigração provocada pelas secas de 1877 e 1888. Nesta ocasião foi erguida a capela dedicada a Nossa Senhora de Nazaré. O município foi criado pela lei estadual nº 4680, de 26 de janeiro de 1994.

Elevado à categoria de município e distrito com a denominação de Nossa Senhora de Nazaré, pela lei estadual nº 4680, de 26-01-1994, desmembrado de Campo Maior. Sede no atual distrito de Nossa Senhora de Nazaré ex-povoado de Nazaré. Constituído do distrito sede. Instalado em 01-01-1997.

Em divisão territorial datada de 15.07.1997, o município é constituído do distrito sede. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2005.

Algumas Localidades Rurais: Mocambinho.

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